domingo, 25 de dezembro de 2011

Qual o segredo do Barcelona??


Muito trabalho, treinamento, disciplina e planejamento.

Nesta postagem vou exibir uma sequência de 2 vídeos desenvolvidos pela UEFA TRAINING GROUND a respeito do sucesso da Seleção Espanhola.
No período entre 1995 e 2010, a Espanha conquistou nove provas da UEFA, desde o escalão de Sub-16 até ao Sub-19, uma era na qual conseguiu também seis segundos lugares. Um sistema que produziu vencedores do Campeonato do Mundo, como Fernando Torres, Sergio Ramos e Andres Iniesta. Qual o segredo do sucesso de Espanha? Perguntamos isso mesmo aos principais responsáveis da RFEF para tentar perceber.


Neste 1º vídeo alguns dos responsáveis pelo sucesso do futebol espanhol foram entrevistados, confira no link:
http://pt.uefa.com/trainingground/grassroots/features/video/videoid=1634980.html?autoplay=true 



 No 2º video é observado o investimento nas seleções de base da Espanha a garantia do sucesso  no futuro.

Na segunda parte da investigarão do UEFA Training Ground sobre o êxito das seleções jovens da Espanha, falamos com algumas figuras importantes envolvidas no processo e descobrimos como os mais novos são ensinados desde cedo e praticar determinado estilo de jogo e a porque estão confiantes de que o sucesso da seleção principal do país pode continuar por muitos anos.



Após observar estes vídeos fica claro o porque da obra de arte que vimos a poucos dias na Final do Campeonato Mundial de Clubes 2011.

Temos muito o que aprender, apesar de sempre sermos reconhecidos como o futebol arte, de excelente posse de bola, ficamos espantados ou  melhor encantados com o que vimos.
O que nos falta? Será qeu chegaremos lá? Será mesmo que estamos muito longe do Topo?
O Brasil tem o que é preciso para voltar a estar no TOPO, basta apenas uma maior e melhor PROFISSIONALIZAÇÃO do donosso amado DESPORTO.

Fico por aqui, desejando a todos um Feliz Natal e um Ano Novo  Repleto de realizações, saúde e sucesso.
Grande abraço a TODOS!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A ação do treinador: dos gritos à descoberta guiada.


        “Para mim liderar não é mandar, para mim liderar é guiar”
 José Mourinho

Ser treinador de futebol não é nada fácil...”: essa frase muitas vezes remete à instabilidade do cargo, mas nesta coluna tal afirmação serve muito bem para ilustrar a complexidade da ação desse profissional dentro do processo de treino.
Em um processo de treino pautado na complexidade, a ação do treinador interfere diretamente na dinâmica de toda a atividade, modificando os objetivos e as ações dos jogadores dentro do treino.
No estudo de Rampinini e outros autores (Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games), podemos observar como a intervenção do treinador modifica diretamente os parâmetros físicos das atividades.
Nesse estudo, os autores submetem os jogadores a jogos reduzidos com e sem a intervenção verbal dos treinadores. A frequência cardíaca, concentração de lactato sanguíneo e na percepção subjetiva de esforço foram mesurados e analisados em cada atividade.
Os dados mostram que quando há a intervenção ativa com estímulo verbal do treinador, há um incremento em todos os parâmetros observados; já quando não há a intervenção do treinador, esses dados sofrem uma queda significativa. Sendo assim, podemos concluir que a ação do treinador interfere diretamente no estímulo físico dentro dos jogos reduzidos.
Contudo, não basta incentivar verbalmente os jogadores para que eles corram mais, ou gritar se eles cometerem algum erro dentro da atividade: é preciso saber guiar todo o processo!
Guiar todo o processo significa orientar os jogadores para aquilo que se espera dentro do jogo. Na base, essa orientação vai além do jogo e se foca (pelo menos deveria) no desenvolvimento de jogadores inteligentes e como visão crítica sobre o jogo, e não simplesmente obedientes taticamente.
O treinador precisa traçar os objetivos e guiar os jogadores ao longo do caminho. Nesse âmbito, a dura ou a repreensão pode e deve ser utilizada em momentos pertinentes, pois formar muitas vezes requer esse tipo de intervenção (claro que com toda a ação pedagógica embutida).
Para José Mourinho, os jogadores precisam ser estimulados a discutir, questionar, experimentar. Tudo com a supervisão e orientação de toda a comissão, que não deve deixar que isso se torne em uma grande discussão, na qual qualquer raciocino é permitido.
A discussão precisa ter um norte, que evolui a cada treino e não deixa que os jogadores se acomodem em questões antigas. Nesse processo, denominado de “descoberta guiada” pelo treinador português, não há estagnação e as discussões evoluem a cada treino e a cada jogo.

Sabemos que cada atividade tem seu objetivo e nosso papel como professor em sua essência deve ser de levar os atletas a entender e avaliar a eficiência de suas ações jogo a jogo, treino a treino.

Em suma, precisamos guiar o processo e não trazer respostas prontas com conteúdo vazio de significado para os atletas.
Lembre-se que esse guiar passa pelos aspectos físicos, técnicos e mentais do jogo, e não apenas pela tática.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Evolução da periodização no futebol: uma questão epistemológica (Parte 1)

Texto retirado  do site da Universidade do Futebol, este artigo de extrema relevância que nos faz refletir melhor sobre nosso  AMADO FUTEBOL.

“Será que no futebol ganha quem salta mais? 

Quem corre durante mais tempo? Quem é mais rápido? 

Ou será que normalmente ganha quem joga melhor futebol?”

Uma análise sobre a preparação física e os treinamentos, suportados pela abordagem sistêmica
William Sander Figueiredo,Renato Buscariolli de Oliveira,Renato Buscariolli
A palavra “periodização” deriva da palavra “período” e nada mais é do que a divisão do tempo em pequenos seguimentos, ou ciclos de treinos, com características e objetivos específicos determinados de acordo com a especificidade de cada desporto. O objetivo desta divisão é facilitar a organização e adequação das cargas de esforço para cada momento do ano competitivo visando o aumento da performance.

Tradicionalmente, a periodização do treino tem assentado numa base predominantemente referenciada aos aspectos de adaptação morfológica, fisiológica ou bioquímica do organismo. Esta perspectiva, embora produtiva quando se pretende resolver questões mais restritas, apenas traduz uma visão parcelar e fragmentada do processo de treinamento em modalidades coletivas complexas como o futebol. Nesse sentido, citamos abaixo as duas primeiras “escolas” de periodização, bastante solidificadas e difundidas na ciência do treinamento. 

A primeira delas (também denominada “tradicional”), originária do Leste Europeu e proposta pelo soviético Lev Pavlovic Matveiev em 1950, caracteriza-se pela divisão da época desportiva em períodos, estruturados para atingir “picos de forma” em determinados momentos competitivos. Este modelo de preparação confere primazia à variável física, assente numa preparação geral e não possui qualquer ligação com a forma de jogar. Deste modo, preconiza um processo abstrato centrado nos fatores da carga física, através de métodos analíticos. A segunda “escola” (também denominada “contemporânea”), com origem nos países do Norte da Europa e América do Norte tem como ícone Yuri Verkhoshansky e tentou transcender o caráter universal da primeira tendência, dando grande importância ao desenvolvimento das capacidades físicas exigidas na competição. Desde então, exacerbou-se a avaliação das cargas através dos testes físicos procurando conhecer assim, a forma dos jogadores. Além disso, esta tendência de treino caracteriza-se por desenvolver a variável física, técnica e psicológica em separado. 

Na busca de adequar a preparação dos atletas às necessidades requeridas no futebol moderno e a tentativa de integrar as diferentes áreas do conhecimento ligadas à modalidade, novas propostas de periodização surgiram: cargas ondulatórias (Tschiene, 1990) e o modelo de Cargas Seletivas (Gomes, 2002). Essas novas propostas (principalmente a última) podem se adentrar em uma tendência designada “Treino Integrado” - onde os aspectos físicos, técnicos e táticos são desenvolvidos conjuntamente – e procuram promover uma maior semelhança com as exigências da competição conferindo uma grande importância ao jogo e à sua especificidade. 

Um “pit stop” reflexivo do conteúdo abordado até aqui nos permite visualizar que a tendência da preparação física no futebol ao longo dos tempos é de se aproximar cada vez mais do jogo em si. Essa aproximação por sua vez, coloca essa área no mesmo patamar de outras não menos importantes (psicologia, nutrição, pedagogia, etc) evidenciando a tão citada interdisciplinaridade. Na prática isso significa que a preparação física não mais será o “norte” no planejamento de uma equipe para uma determinada competição. Isso quer dizer que o preparador físico tonar-se-á “menos importante?” Ou que não será mais necessária a preparação física? Ou agora serão os técnicos e técnicos adjuntos que se responsabilizarão por essa área, acabando com a figura do “especialista” – preparador físico - no futebol? Caro leitor, muito calma nessa hora...

Como já explícito, a estruturação de todo o processo de planejamento e periodização do treino em futebol, passou e ainda passa pelo componente dito “físico”. A periodização física convencional está instituída no futebol e apesar de parecer desajustada ainda prevalece metodologicamente como núcleo central de preparação. Teodorescu (2003) salienta que grande parte das opiniões e teorias da psicologia, da pedagogia bem como da teoria da educação física sobre o jogo, são formuladas a partir de posições biológicas e biogizantes. De fato, no desporto de rendimento está fortemente enraizada a crença de que a excelência no desempenho desportivo pode ser obtida mediante a melhoria na condição física (Tani, 2001). Historicamente, esta crença deve-se à grande influência exercida pela Fisiologia do Exercício, que apresenta uma perspectiva eminentemente energética de movimento. 

Surge-nos assim vincado aquilo que podemos designar por um paradigma da dimensão física do treino, que realça a importância da dimensão física no seio do Planejamento e Periodização. Ao referenciarmos a performance a partir de fatores energéticos, biomecânicos e das características fisiológicas dos jogadores, os comportamentos destes serão perspectivados enquanto produto de uma maior ou menor adequação do organismo às exigências energéticas e funcionais do jogo, tendo em conta a unidade entre o estímulo e a resposta, desconsiderando as configurações tácticas que os induzem (Garganta et al, 1996). Isso impede uma tomada de consciência molar dos problemas do jogo, dado que não serão equacionadas as interações que se estabelecem no seio da equipe, entre os jogadores, face à relação de oposição – cooperação. 

Assim sendo, apesar da investigação científica ter inferido uma relação causa-efeito de caráter bio-fisiológico na aplicação dos métodos de treino baseados na coerência estrutural daquilo que convencionalmente se denomina componentes da carga (volume, densidade, intensidade e freqüência), isso nada nos elucida sobre a eficácia do comportamento motor utilizado pelos jogadores para a resolução de uma situação competitiva qualquer. Compreender a ação biológico-fisiológica dos exercícios é importante e necessária por parte daqueles que estão aplicando o treino para conhecer o efeito imediato, assim como os efeitos crônico-adaptativos de uma determinada sessão, microciclo ou mesociclo (Tscheine, 1987). No entanto, as modalidades desportivas de caráter aberto, como o futebol, não podem desenvolver os seus métodos de treino partindo simplesmente do manuseamento das denominadas componentes da carga.

Dessa forma, podemos dizer que a “preparação física” no futebol atravessa de forma lenta e gradativa (como é o progresso da ciência) uma mudança paradigmática e epistemológica. Os fatos nos levam a crer que não mais o componente biológico seja o norteador do planejamento de uma equipe, independente do seu nível e/ou faixa etária. A Periodização (divisão) continua, porém muda o seu foco. Talvez a “Periodização Tática” (“processo de preparação centrado na operacionalização de um “jogar” através da criação e desenvolvimento contínuo do Modelo de Jogo” – Vitor Frade, 2006) que é para muitos algo novo, desconhecido, seja a norma dentro do futebol em um futuro próximo. Cabe a nós, profissionais da bola, “corrermos atrás” das mudanças, nos adequarmos e nos reciclarmos. A abordagem sistêmica cada vez mais ganha espaço dentro dessa modalidade. Contudo, profissionais completos, “sistêmicos”, “complexos”, holísticos e que se atualizam constantemente serão necessários para que essa abordagem se efetive verdadeiramente. 

Talvez hoje o “componente físico” esteja se redimensionando dentro do futebol e não simplesmente sendo “deixado de lado”. Analogamente, o mesmo ATP (sigla referente à adenosinatrifosfato, nossa “moeda energética” dentro do metabolismo) que era responsável por um jogador correr em média 6 km por partida na década de 60, hoje permite que os atletas corram cerca de 12 km. O jogo é o mesmo, as regras são as mesmas, o ATP é o mesmo. Foram apenas 50 anos de evolução. O que mudou? Para terminar essa parte do texto (já que o assunto não se esgotou nesse documento), terminamos com uma pergunta capciosa e polêmica. 

“Será que no futebol ganha quem salta mais? 

Quem corre durante mais tempo? Quem é mais rápido? 

Ou será que normalmente ganha quem joga melhor futebol?”

BIBLIOGRAFIA

“A Ciência do Desporto a Cultura e o Homem”. Jorge Bento e Antonio Marques. Universidade do Porto. Porto, 1993.

“O Planeamento e a Periodização do Treino em Futebol – Um estudo realizado em clubes da Superliga”. Tese de Mestrado. Pedro Manoel de Oliveira Santos. Universidade Técnica de Lisboa, 2006.

“Do pé como técnica ao pensamento técnico dos pés. Dentro da caixa preta da Periodização Tática. – Um estudo de Caso”. Trabalho Conclusão de Curso. Marisa Silva Gomes. Universidade do Porto, Porto, 2006.

* Renato Buscariolli de Oliveira é bacharel em Treinamento Desportivo, mestrando em Biologia Funcional e Molecular - IB, pós-graduando em Bioquímica, Fisiologia, Treinamento e Nutrição Desportiva e membro do Laboratório de Bioquímica do Exercício - Labex, pela UNICAMP

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"The 11 +" Prevenção de Lesão para Futebolistas






O programa desenvolvido pela FIFA por meio do F-MARC tem o objetivo de tornar os atletas menos suscetíveis a lesões, tendo assim uma saúde mais forte, e seu nome é “FIFA FOR HEALTH” apelidado de “The 11+”.

Com a preocupação com as lesões específicas do futebol foi desenvolvido uma série de exercícios de nome “11+” que mostra como eles podem ser utilizados pelos atletas da bola. O foco dessas instruções é que as orientações individuais dos atletas parece diminuir o risco de lesões do joelho em futebolistas.

O futebol por si só é uma causa dominante das lesões, em parte devido à sua crescente popularidade. O tipo mais freqüente e grave de lesões em jogadores de futebol ocorre nas pernas, principalmente nos joelhos. O ligamento cruzado anterior (LCA) apresenta elevada incidência de lesões entre as atletas e as rupturas do LCA, especialmente, podem ter consequências grave em longo prazo, incluindo uma longa ausência do futebol, a recuperação incompleta e osteoartrite ou osteoartrose (inflamação) secundária do joelho. 

Um estudo muito interessante e de grande valor preventivo para o futebol feminino foi realizado na Suécia pelo Dr. Kiani e colaboradores, que avaliaram um programa de intervenção especificamente concebido para diminuir o risco de lesões no joelho relacionados ao futebol feminino sueco, com atletas de 13 a 19 anos.  

O programa contou com exercícios de fortalecimento destinados a alcançar um padrão de movimento melhorado, diminuindo a pressão sobre a articulação do joelho. As sessões de treinamento foram integradas na prática do futebol regular e não foi necessário nenhum equipamento adicional. Além disso, as jogadoras, pais e líderes de equipe, participaram de um seminário de sensibilização para o risco de lesão.  Em 2007, 777 meninas de 48 equipes que participaram do programa e 729 jogadoras em 49 equipes, serviram como controles, e observou-se apenas três lesões de joelho ocorridas entre as jogadoras que participaram do programa preventivo. Ao contrário, verificou-se 13 lesões nos joelhos do grupo sem prevenção. Comprovadamente, o programa teve êxito na diminuição de 77% na incidência de lesões no joelho e uma diminuição de 90% na incidência de lesões no joelho sem contato. 

A taxa de lesão não foi apenas mais baixa entre as equipas que participaram do programa de prevenção, como as lesões que ocorreram foram menos severas. Todas as três lesões no grupo de intervenção foram classificadas como graves, mas todas as três jogadoras recuperaram plenamente sua atividade dentro de seis meses. 

Entre os participantes do grupo controle, a maioria das lesões foram graves, e apenas quatro das 13 recuperaram a plena atividade dentro de seis meses. Infelizmente, o esporte competitivo também pode produzir lesões. Nos Estados Unidos, cerca de 1,4 milhões de lesões ocorrem anualmente como resultado da participação em esportes. Os pesquisadores concluíram que um programa preventivo contra lesões deve ser incorporado à prática regular do futebol. 

Diante desse quadro, é fácil concluir que a adoção de um programa de prevenção, pode não evitar completamente o risco de lesão dos atletas, mas esta intervenção ajuda a desenvolver um atleta mais saudável e com maior poder de recuperação diante dos incidentes tão comuns no esporte.

domingo, 6 de novembro de 2011

Perfil das Lesões da Copa do Mundo 2010 - Relatório médico da Copa do Mundo de 2010

Este é um dos assuntos que venho pesquisando nos últimos meses para a elaboração de um Projeto de Pesquisa, um assunto bastante interessante pois é algo de extrema importância para todos que estão envolvidos com o Mundo do Futebol. Não é só o atleta que sofre com isso, todo o clube que investe para ter seu elenco sempre em perfeitas condições, a torcida que espera sempre quem o clube apresente-se sempre com força máxima, uma lesão afeta toda a atmosfera do clube.
 Visando isto a proposta do Treinamento Preventivo vem ganhando cada vez mais  força, e isso é algo que postarei mais a diante. Encontrei este Texto no site www.universidadedofutebol.com.br e achei importante posta-lo no blog pois este tema está ganhando cada vez mais força, não só  pelo simples fato da prevenção das lesões e sim pelo cuidado com a saúde do Atletas de futebol.
TEXTO ESCRITO POR : Renê Drezner  Disponível na Universidade do Futebol
A saúde dos jogadores é um assunto que é levado muito a sério pela Fifa. Dentro da entidade existe um departamento responsável por diagnosticar as principais lesões e doenças que ocorrem com a prática do futebol e elaborar programas para preveni-las. 

Ao longo dos anos a comissão médica da Fifa criou bateria de testes preventivos (cardíacos e ortopédicos) e programas de treinamento preventivo (como o FIFA 11+, conjunto de exercícios para serem usados no aquecimento[Mais informações sobre o 11+ nos próximos posts]). 

Também existe um esforço muito grande de monitoramento de todas as ocorrências médicas que acontecem durante as competições realizadas pela Fifa, como a Copa do Mundo.

Neste post será realizado um resumo do relatório médico da Copa do Mundo da África do Sul de 2010; este relatório foi elaborado pelo professor Jiri Dvorak e pelas doutoras Astrid Junge e Katharina Grimm. O documento completo está dentro do relatório técnico-tático da Copa do Mundo de 2010 – para acessá-lo clique aqui.
Avaliações médicas antes da Copa do Mundo:
Todas as equipes realizaram exames preventivos nos jogadores seguindo o protocolo recomendado pela comissão médica da FIFA (F-MARC), tendo como maior objetivo evitar a morte súbita no futebol.
Estudo sobre a ocorrência das lesões:
Pela primeira vez em uma Copa do Mundo foram registradas todas as lesões e doenças de todas as equipes participantes desde a chegada à África do Sul. Os médicos das equipes enviavam as informações diariamente para a comissão médica da Fifa.
Durante os jogos foram registrados os menores índices de lesão por partida dentro de uma Copa do Mundo (média de 1,9 por jogo, contra 2,3 em 2006, 2,7 em 2002 e 2,4 em 1998 – primeiro ano deste tipo de análise). A maioria destas lesões foi considerada com intensidades leve e moderada, sendo que 31% das lesões não precisaram de período de recuperação, 46% precisaram de 1 a 3 dias de recuperação. As lesões mais graves que necessitavam de um período de mais de quatro semanas de recuperação foram drasticamente reduzidas, demonstrando que caiu a gravidade das lesões juntamente com o número total de ocorrências; ver tabela abaixo:

 

Com relação à causa das lesões, foi reduzido o número de lesões por jogo brusco em comparação com as últimas Copas do Mundo, mas em compensação aumentaram o número de lesões sem contato físico; ver tabela abaixo:

 

Observação: Estes dados da tabela foram coletados do relatório da Fifa. As somas das porcentagens não chegam a 100% (não sei se foi erro da Fifa, ou tem outras causas de lesão classificadas).

Controle de dopagem fora da competição:

Todas as equipes participantes deveriam informar seu paradeiro ao menos dois meses antes do início da competição. Foram realizados testes surpresa com oito jogadores de cada equipe (escolhidos por sorteio) durante esse período, totalizando 256 testes. Todas as amostras coletadas deram negativo para substâncias proibidas.
Controle de dopagem durante a competição:
De acordo com a norma da Fifa, durante os jogos foram realizados testes aleatórios com dois jogadores por equipe. Nestes testes foram coletadas amostras de urina e às vezes também de sangue. Todos os resultados também deram negativo. 

Desde 1994 foram realizados 7.460 testes no controle de dopagem nas Copas do Mundo e somente quatro destes testes deram positivo (um acusou efedrina, um por maconha e dois por nandrolona), um percentual menor que 0,05%.

Atividades complementares:
Junto com as atividades normais foram realizadas atividades complementares, como a edição de uma nova publicação sobre os procedimentos mais adequados utilizados nos socorros de urgência. E a implementação para os africanos dos programas FIFA 11+ (série de exercícios de aquecimento para prevenir lesões) e 11 para a saúde (programa que pretende ensinar às crianças como prevenir o contágio das doenças mais graves, como a AIDS).
Conclusão:
Analisando este relatório é possível observar o avanço que está ocorrendo na preparação dos atletas. Este resultado é fruto da grande quantidade de estudos que foram realizados no campo da medicina esportiva. 

Espero que nos próximos anos continue surgindo novas pesquisas que ajudem a aprimorar o diagnóstico das lesões e os métodos de treinamento para que, cada vez mais, diminua a incidência e gravidade das lesões e doenças no futebol.

Essa é a Tendência do Futebol, diminuir o número de lesões e tornar cada vez mais rápida a recuperação destes atletas.
Fico por aqui, em breve postarei mais informações sobre os Programas da FIFA ( The11+ e o FIFA for Health) 
Grande Abraço a Todos!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Futebol para saúde. (Fazer da Pelada uma rotina faz bem a saúde!)


Os dinamarqueses não são lá uma potência no futebol, mas isto não quer dizer que não sejam fãs entusiastas desta modalidade. 
Pelo contrário, são e muito, e é da Dinamarca que vem um importante estudo sobre este esporte. O trabalho, liderado pelos professores Peter Krustrup e Jens Bangsbo, do Departamento de Exercício e Ciências do Esporte da Universidade de Copenhague, durou mais de três anos e reuniu mais de 50 pesquisadores de sete países no objetivo comum de avaliar a repercussão do futebol sobre a saúde, a condição física e as habilidades sociais em ambos os sexos e em diferentes faixas etárias.

Numa edição especial do Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports intitulada Futebol para a Saúde, figuram nada menos de 14 artigos científicos elaborados a partir do projeto.
O estudo abrangeu três grupos: praticantes de futebol, praticantes de corrida e grupo controle. Como era de esperar, verificou-se que pessoas jogando futebol duas ou três vezes por semana (com finalidades recreativas; não se tratava de torneios ou competições) tiveram uma excelente melhora em seu organismo, do ponto de vista cardiovascular e músculo-esquelético. Verificou-se, por exemplo, que o futebol tende a regularizar os níveis de pressão arterial, a melhorar a coordenação motora. Isto também acontece com a corrida, e daí vem a pergunta: o que é melhor, correr ou praticar um esporte tipo futebol?

Os autores são francamente a favor desta última opção. O esporte, dizem eles, é uma atividade coletiva, ao passo que correr (embora se possa correr em grupo) é mais individual. Em consequência, a prática do futebol distrai a pessoa das preocupações; mas o corredor pode estar ruminando seus problemas enquanto percorre distâncias. Por isso, o futebol cansa menos que a corrida, ainda que aumente a possibilidade de lesões.
Mas será que somos obrigados a escolher entre uma coisa e outra? Talvez não. Esporte e corrida (ou exercício na academia) não se excluem, pelo contrário, se completam. E mais, a alternância das duas práticas acaba funcionando como um estímulo para ambas. A pessoa pode praticar esporte dois ou três dias e correr, ou andar, ou ir à academia, nos outros.
importante é fazer da pratica esportiva um hábito, para ter sempre saúde para aproveitar melhor a VIDA!

Boa "Peladinha"ou"Rachão" para todos!

Obs.: Lembrem-se sempre de realizar alguns alongamentos afim de prepararem o corpo para sua diversão...


sábado, 27 de agosto de 2011

Vo2 Máx, é importante saber para treinar melhor... (Parte 3) (Indivíduos Treinados)

Dando continuação...

PARA INDIVÍDUOS TREINADOS                          
      

Indivíduos neste nível já possuem baixa sensibilidade na melhora da potência aeróbia, é necessário uma maior variação nos estímulos de treinamento (INTENSIDADE - MÁXIMA E SUPRAMÁXIMA, INTERVALOS - SUBMÁXIMOS).

ESQUEMA PARA TREINAMENTO CONTÍNUO

ESQUEMA PARA TREINAMENTO INTERVALADO

Lembrem-se sempre de buscar um acompanhamento de um profissional capacitado para que seus treinos se tornem cada vez mais efetivos e seguros.

Bom treino a Todos!!

Obrigado pela atenção!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vo2 Máx, é importante saber para treinar melhor... (Parte 2) (Indivíduos Sedentários e Ativos)

Nesta postagem vamos mostrar como utilizar os dados do VO2máx conseguidos em testes de campo ou até de laboratório para melhorar a performance nos treinamentos.




Segundo o ACSM (1995), a prescrição de exercício entende-se pelo processo através do qual o estabelecimento de recomendações para um regime de atividade física é concebido de forma sistemática e individualizada. Desta forma sendo o VO2 a forma prática de melhor individualizar a prescrição.

PARA INDIVÍDUOS SEDENTÁRIOS E ATIVOS
Com treinamento contínuo de 20 minutos pelo menos 3 vezes por semana é possível aumentar o VO2max em média de 5 – 10% nas primeiras semanas de treino.
Nesta fase utilize 50%VO2máx e até 60%FCmáx (Frequencia cardiaca máxima, no final do post colocarei o cálculo para estimado FCmáx).
Após as primeiras semanas quando o individuo passa a realizar o treino com  facilidade é hora de aumentar a carga de treinamento.
A combinação  de treinamentos contínuos e intervalados (click e saiba mais) é de muita valia par alcançar níveis mais elevados tanto do VO2 com da FC aumentando também o gasto calórico.
Neste segundo momento a intensidade deve ser aumentada utilizando 70% a 80% do VO2máx.

QUADRO DE ESQUEMA DE TREINAMENTO CONTÍNUO

QUADRO DE ESQUEMA DE TREINAMENTO INTERVALADO

CÁLCULO PARA ESTIMAR A FREQUENCIA CARDÍACA MÁXIMA



Por momento ficamos por aqui, na próxima postagem abordaremos o tema em relação a indivíduos treinados.
Agradeço a todos a atenção!

Abraços e até breve!




Referências:
American College of Sports Medicine (1995)
SEALS,D. e TANAKA,H. American colleg of cardiology. Clevealand Clinic Foundation. Universidade do Colorado (2001)

domingo, 14 de agosto de 2011

Vo2 Máx, é importante saber para treinar melhor... (Parte 1)



A estimativa do consumo de oxigênio (VO2 Max) durante a realização do exercício constitui o meio mais fidedigno de determinar a capacidade de potência máxima de um indivíduo. Segundo Ghorayeb e Barros (2004), o consumo máximo de oxigênio pode ser definido como o maior volume de oxigênio que o indivíduo consegue captar por unidade de tempo respirando durante a execução do exercício, ou seja, o VO2 Max é a capacidade do indivíduo captar o oxigeno do ar atmosférico, transportar-lo para os músculos ou grupamentos musculares em atividade e utilizar-lo no processo de oxidação, e é expresso geralmente em relação ao peso corporal, desta forma temos:

 -> l . min-1 ou l/min (litros por minuto = litros de oxigênio absorvidos no espaço de tempo de 1 minuto, pode ser chamado de valor absoluto).
ou
-> ml . kg -1 . min -1 ou ml/kg/min (mililitros por quilograma de peso por minuto = mililitros de oxigênio absorvidos por quilograma de peso corporal no espaço de tempo de 1 minuto, pode ser chamado de valor relativo)

O VO2max é um bom índice para que possamos classificar o nível de aptidão cardiorrespiratório, ou seja, para que possamos comparar com dados estatísticos. Todas as tabelas de classificação de aptidão física foram desenvolvidas a partir de pesquisas realizadas sobre o consumo máximo de oxigênio - VO2 Máximo.
Essa capacidade (VO2máx.) é limitada por alguns fatores, como por exemplo: Génetica, Aptidão Física, Massa Muscular e Condicionamento Físico.


Referência: 
GHORAYEB, N e BARROS, T. Exercício: Preparação Fisiológica, Avaliação Médica, Aspectos Especiais e preventivos. São Paulo: Atheneu, 2004.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Treinamento de Corrida Intervalada


Criado em 1939 na Alemanha, o treinamento intervalado costumava ser aplicado apenas em atletas, mas devido aos seus benefícios (como a melhora do condicionamento cardio-respiratório, uma maior queima calórica se comparado com o exercício feito no mesmo ritmo e o incremento de atividades repetitivas), tem sido aplicado com sucesso nas academias e em aulas com Personal Trainer.
Este é sem dúvida, um grande estímulo para pessoas que consideram que o seu treino está chato, monótono ou fácil de ser executado. Você pode trabalhar de forma intervalada em modalidades esportivas diferentes (tanto fazendo a mesma atividade, como fazendo atividades diferentes) como caminhada, corrida, natação, transport ou corss trainer, bicicleta, e até musculação, mas no decorrer do post vamos abordar os aspectos do treinamento intervalado para corredores.

O treinamento intervalado constitui-se em um método de treinamento muito difundido na preparação para as corridas de fundo, devido à sua eficiência na promoção de ganhos consideráveis para o desempenho competitivo dos corredores.
A proposta do treino intervalado consiste na repetição sistemática de um determinado número de estímulos, intercalados com pausas de recuperação ativa.
Esses estímulos, ou "tiros" no jargão do atletismo, são realizados em distâncias, ritmos, quantidade e intervalos pré-determinados, conforme seja o condicionamento físico do corredor.
O treino intervalado apresenta inúmeras variantes metodológicas, mas para o nosso interesse, abordaremos apenas o trabalho de caráter aeróbio / anaeróbio. Sendo assim, o objetivo do treino intervalado aqui proposto é o aprimoramento combinado da resistência e da velocidade, submetendo o aparelho cardiovascular e o metabolismo muscular do corredor a uma série de estímulos, sendo que o intervalo entre os "tiros" deve proporcionar apenas uma recuperação parcial do organismo.
Os efeitos fisiológicos do treinamento intervalado consistem no aumento do consumo máximo de oxigênio (VO2max) e da conseqüente melhora do sistema cardiovascular (aumento da capacidade do coração e do sangue), em fornecer mais oxigênio aos músculos para a realização do trabalho em regime de "queima" de carboidratos.
A maior densidade capilar (aumento do número de vasos sangüíneos nos músculos) promove adaptações fundamentais no sistema de fornecimento de oxigênio e nutrientes aos músculos, retardando o surgimento da fadiga. Assim, o maior fluxo sangüíneo e oxigenação permitem que adaptações bioquímicas eliminem eficazmente os resíduos metabólicos nocivos que prejudicam o trabalho muscular. Esse tipo de treinamento exige "velocidade e força", sendo muito útil para promover as adaptações na resistência específica do corredor para as competições.
As alterações fisiológicas decorrentes do processo de treino intervalado fazem com que a fadiga se manifeste cada vez mais tarde e que o organismo se recupere mais rápido durante os intervalos, promovendo a ampliação da capacidade de velocidade e resistência do corredor.
Metodologicamente, os pontos básicos do treino intervalado são: distância ou duração do estímulo, intensidade, pausa, número de repetições, ação durante o intervalo e volume da sessão de treino. 
As distâncias irão variar conforme seja a especialidade do corredor. Considerando-se a distância em que o corredor irá competir, temos alguns exemplos, mas é muito importânte procurar uma orientação profissional para adequar os estimulos ao nível de treinamento:

5 km: 8 a 12 x 200 m e/ou 4 a 6 x 800 m
10 km: 8 a 10 x 400 m e/ou 4 a 6 x 1.000 m
15-21 km: 4 a 5 x 1.500 m e/ou 2 a 3 x 3.000 m
Maratona: 4-5 x 3.000 e/ou 3 a 4 x 5.000 m

A intensidade do exercício determina o ritmo em que o corredor terá que cumprir a distância proposta pelo treinamento. O objetivo é habilitar o mesmo a percorrer as distâncias propostas em uma intensidade superior ao ritmo médio de competição. Portanto, o corredor deverá percorrer os trechos estipulados em uma velocidade maior que a velocidade prevista na prova.
O intervalo entre os "tiros" deve ser o suficiente para uma recuperação parcial do organismo. Assim, a pausa pode ter uma variação de 1-3 min. nas distâncias compreendidas entre 200 - 1000m, e de 3-5 / 10 min. para as distâncias entre 3000-5000m. O corredor deverá estar se sentindo disposto ao iniciar o próximo estímulo.
Será de acordo com a capacidade aeróbia do corredor. Dessa forma, a quantidade de repetições deve ser estipulada conforme seja o condicionamento do corredor e a sua disposição no momento do treino. Sabemos que nem todos os dias a disposição para realizar as tarefas da preparação é a mesma. Há dias e dias. Isso depende de vários fatores (alimentação, repouso, preocupações diárias etc.). Portanto, temos que observar o que diz o nosso corpo no dia do treinamento e não apenas a programação que consta na planilha, pois não devemos ultrapassar determinados limites que poderiam pôr em risco a saúde.
Durante a pausa, o corredor deverá executar um trote ou uma caminhada, aguardando aquela "sensação de alívio" nos músculos das coxas e pernas. O corredor também pode e deve se hidratar nesse momento. O treino deverá ser interrompido quando o desconforto muscular persistir após o tempo estipulado para a pausa encerrar. Isso é muito importante, pois indica que o esforço físico para a execução do treinamento alcançou o seu limite. É a hora de parar, de trotar e alongar-se. A fadiga definitivamente chegou, e o treino acabou! O corredor atento irá perceber que o cansaço começa a se apresentar após 40-55% do treino realizado. Daí em diante mais força será exigida para o cumprimento do exercício. A resistência específica estará sendo posta em prova!
Como se trata de um trabalho de caráter aeróbio / anaeróbio, o volume, ou seja, a quilometragem percorrida durante a sessão de treino, deverá ser o suficiente para a promoção dos benefícios da prática regular do treino intervalado. Assim, para os corredores de 5 km, entre 2400-4800m já serão suficientes, sendo que para os maratonistas o volume será relativamente mais elevado, em torno de 12-20 km.
Todos esses parâmetros servem como orientação para o treinamento, pois são fundamentais para a consecução dos processos de adaptação fisiológica e a melhora do rendimento atlético. A distância, as repetições, o tempo destinado à pausa, a intensidade, as ações durante o intervalo e o volume total da sessão constituem-se na metodologia básica do intervalado. Se não observarmos essas regras, o treino será inútil e o nosso precioso tempo terá sido desperdiçado. É a combinação desses elementos que irá proporcionar ao corredor o aumento da velocidade de corrida. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Correr na Areia é bom e seguro!!

Praticantes e médicos assinam embaixo quanto às vantagens sobre correr na praia; portanto, se você ainda não deu suas passadas, programe-se para começar...




O terreno arenoso oferece muitos pontos positivos para o seu treino. Mesmo que não corra, realizar movimentos como saltos, deslocamentos laterais e ziguezagues na areia contribui para a estabilidade das articulações e o fortalecimento dos músculos inferiores. 

Exercícios nesse terreno são excelentes para propriocepção — a capacidade que a pessoa tem para perceber o espaço que seu corpo ocupa e como ele se posiciona. Nada mais é que a conscientização corporal. Isso pode ser trabalhado com movimentos específicos na areia. 

“Como a praia é uma superfície irregular, macia e pesada — no caso da areia fofa —, há um aumento do estímulo proprioceptivo, que gera maior controle muscular e estabilidade das articulações do quadril, joelho e pé”, diz o fisioterapeuta Ricardo Rocha, profissional do Centro Ortopédico e de Reabilitação do Esporte do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. 

O ortopedista Ricardo Cury, diretor do Comitê de Cirurgia do Joelho da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), destaca outro ponto a favor da corrida nesse piso. “Exercícios na areia fofa queimam mais calorias porque o gasto energético para realizar os movimentos é maior”, afirma Cury. Estudos comprovam que a corrida na areia chega a queimar 60% mais calorias por milha (que equivale a 1,6 km) que a mesma distância realizada no asfalto. Ou seja: a areia emagrece mais. 

E os riscos? 
Equilíbrio, agilidade e força são os benefícios associados à corrida na areia. Porém, você deve considerar seu nível de preparo físico antes de começar. “Uma pessoa que nunca praticou atividade física não deve se arriscar em uma corrida na areia fofa. Ela vai forçar a lombar e as articulações. As chances de se lesionar são enormes, além da possibilidade de torcer o pé, que não está com a musculatura preparada para um piso irregular”, diz o ortopedista Marcelo Filardi. 

Fernanda Manhães, atleta e professora de beach running (corrida na praia, modalidade que existe em algumas academias) da A! Body Tech no Rio de Janeiro, avisa que a sobrecarga na região lombar pode ser conseqüência de uma musculatura fraca do abdome e das costas. Logo, quem quiser correr na areia deve, antes de encarar os treinos, fortalecer essas partes com exercícios específicos de musculação. Um dos alunos de Fernanda, Luiz Guilherme Teixeira, de 35 anos, conta que teve um problema lombar. 

Há um ano, sob a supervisão da instrutora, executa treinos na areia, com acessórios como cones, pára-quedas e elástico. “Aprendi a escutar e respeitar meu corpo. Ele sinaliza melhor que ninguém se tem alguma coisa errada”, diz Teixeira. Parece que está dando certo. O empresário carioca fez em outubro a Meia Maratona do Rio de Janeiro e jura que suas costas não chiaram. E planeja para 2009 uma ultramaratona. 

Além das eventuais conseqüências negativas, Felipe Guedes, triatleta e técnico de corrida em Santos, no litoral de São Paulo, destaca que um treino na praia também depende das condições do mar e do tempo. “Se a maré está alta ou choveu muito, o piso pode virar um lamaçal. 

A faixa de areia disponível para correr também pode diminuir e ficar mais inclinada. Nesse cenário, é melhor ir para uma esteira”, diz Guedes. Ele ainda sugere treinos pela manhã porque, no fim do dia, a chance de topar com buracos ou castelinhos feitos por banhistas é grande.