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terça-feira, 1 de maio de 2012

Fique atento ao seu corpo, evite lesões.

Pesquisa revela os problemas que mais atingem corredores amadores

Por Evaldo Bósio Filho
A corrida de rua é uma modalidade esportiva caracterizada por exigências repetitivas do aparelho locomotor (ossos, músculos, tendões e ligamentos). Com o aumento no número de praticantes nos últimos anos, cresceu também o número de lesões - especialmente entre os atletas de fim de semana. A estimativa é que ao menos 200 mil pessoas corram pelos parques e ruas de São Paulo aos sábados e domingos.
Pesquisa
O aumento da pratica esportiva levou as pessoas a terem novas lesões, as chamadas lesões esportivas. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Nacional de Fisioterapia e coordenada por mim identificou as lesões mais comuns que atingem os corredores e a direcionou para atletas, assessorias e treinadores com a intenção de prevenir lesões, evitando assim que as pessoas fiquem afastados do ciclo de treinos e corridas, prejudicando a prática esportiva.
Um total de 250 atletas que participaram da Meia-maratona Internacional de São Paulo de 2011 foi avaliado. Participaram dessa pesquisa pessoas com idade entre 18 e 60 anos. Dos corredores avaliados, 28 foram excluídos, respeitando o critério de exclusão (praticantes de outros esportes). Permanecendo na pesquisa 232 atletas: sendo 160 (68,97) homens e 72 (31,03%) mulheres. Os dados foram coletados através de questionário epidemiológico, exames de imagem e avaliação clínica dos pacientes.
Dos 232 avaliados, 52 (22,41%) apresentaram tendinopatia de calcâneo (Tendinite de Aquiles) como o principal lesão, seguido por fasceíte plantar: 40 (17,24%), tendinopatia patelar: 36 (15,52%), canelite: 29 (12,5%), fratura por estresse 25: (10,78%), lesão muscular: 19 (8,19%), condropatia patelar: 12 (5,17%), entorse de tornozelo: sete (3,02%) e síndrome do impacto acetabular: três (1,29%). Apenas nove (3,88%) atletas não relataram lesões provenientes da corrida. A dor esteve presente em 183 (78,88%) atletas, sendo a principal queixa durante a prática esportiva.

A tendinite
Os tendões são estruturas fibrosas, com pouca vascularização (recebem pouco aporte sanguíneo), e têm como principal função transmitir a força gerada pelos músculos aos ossos, determinando os movimentos do corpo. As tendinites podem ser denominadas como a inflamação de algum tendão.
Diversas são as causas que podem gerar um processo inflamatório sobre o tendão. Entre os corredores, podemos citar: falta de alongamento e flexibilidade de algum grupo muscular, déficit de força muscular, falta de aquecimento antes de atividades esportivas, excesso de movimentos repetitivos, sobrecarga dos treinamentos e calçado inadequado.
Elas se manifestam através de dores localizadas próximo às articulações. Geralmente são dores difusas, que podem aparecer após uma atividade física intensa ou em atividades simples como andar, abaixar, subir e descer escadas.
Tendinite de Aquiles, o principal acometimento apontado na pesquisa, é a lesão inflamatória que acomete o tendão dos músculos da panturrilha (Tríceps Sural). As dores se localizam na região posterior do calcanhar. O tratamento fisioterapêutico tem início cerca de três a sete dias após o diagnóstico médico. O tratamento inicial será de analgesia e controle da inflamação. Após a resolução da dor e do processo inflamatório, começa a segunda etapa do tratamento, que visa o reequilíbrio muscular (alongamentos e fortalecimentos).
Na última etapa, o objetivo é corrigir possíveis alterações posturais e passar orientações sobre calçados mais adequados, caso seja necessário. Nessa fase também inicia-se um treino leve do gesto esportivo e, após alguns testes funcionais, ocorre a liberação para treinos e pratica esportiva.

Atenção
Vale um alerta: As tendinites tratadas de forma incorreta ou não tratadas podem gerar uma tendinose, que passa a ser a condição de total degeneração do tendão e que pode levar à ruptura do mesmo. Nos casos em que ocorre a ruptura do tendão, o tratamento passa a ser cirúrgico e o atleta geralmente fica afastado por alguns meses da prática esportiva para tratamento e recuperação. Dependendo da gravidade da degeneração, o atleta pode ser afastado definitivamente do esporte.
Sugiro que atletas, assessorias e treinadores tenham mais atenção aos sinais de dores, que muitas vezes são banalizados, e passem a incluir treinos preventivos realizados por fisioterapeutas junto às planilhas de treinamentos. Previna-se de lesões e pratique a corrida de forma saudável!



Fonte: www.o2porminuto.uol.com.br/

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"The 11 +" Prevenção de Lesão para Futebolistas






O programa desenvolvido pela FIFA por meio do F-MARC tem o objetivo de tornar os atletas menos suscetíveis a lesões, tendo assim uma saúde mais forte, e seu nome é “FIFA FOR HEALTH” apelidado de “The 11+”.

Com a preocupação com as lesões específicas do futebol foi desenvolvido uma série de exercícios de nome “11+” que mostra como eles podem ser utilizados pelos atletas da bola. O foco dessas instruções é que as orientações individuais dos atletas parece diminuir o risco de lesões do joelho em futebolistas.

O futebol por si só é uma causa dominante das lesões, em parte devido à sua crescente popularidade. O tipo mais freqüente e grave de lesões em jogadores de futebol ocorre nas pernas, principalmente nos joelhos. O ligamento cruzado anterior (LCA) apresenta elevada incidência de lesões entre as atletas e as rupturas do LCA, especialmente, podem ter consequências grave em longo prazo, incluindo uma longa ausência do futebol, a recuperação incompleta e osteoartrite ou osteoartrose (inflamação) secundária do joelho. 

Um estudo muito interessante e de grande valor preventivo para o futebol feminino foi realizado na Suécia pelo Dr. Kiani e colaboradores, que avaliaram um programa de intervenção especificamente concebido para diminuir o risco de lesões no joelho relacionados ao futebol feminino sueco, com atletas de 13 a 19 anos.  

O programa contou com exercícios de fortalecimento destinados a alcançar um padrão de movimento melhorado, diminuindo a pressão sobre a articulação do joelho. As sessões de treinamento foram integradas na prática do futebol regular e não foi necessário nenhum equipamento adicional. Além disso, as jogadoras, pais e líderes de equipe, participaram de um seminário de sensibilização para o risco de lesão.  Em 2007, 777 meninas de 48 equipes que participaram do programa e 729 jogadoras em 49 equipes, serviram como controles, e observou-se apenas três lesões de joelho ocorridas entre as jogadoras que participaram do programa preventivo. Ao contrário, verificou-se 13 lesões nos joelhos do grupo sem prevenção. Comprovadamente, o programa teve êxito na diminuição de 77% na incidência de lesões no joelho e uma diminuição de 90% na incidência de lesões no joelho sem contato. 

A taxa de lesão não foi apenas mais baixa entre as equipas que participaram do programa de prevenção, como as lesões que ocorreram foram menos severas. Todas as três lesões no grupo de intervenção foram classificadas como graves, mas todas as três jogadoras recuperaram plenamente sua atividade dentro de seis meses. 

Entre os participantes do grupo controle, a maioria das lesões foram graves, e apenas quatro das 13 recuperaram a plena atividade dentro de seis meses. Infelizmente, o esporte competitivo também pode produzir lesões. Nos Estados Unidos, cerca de 1,4 milhões de lesões ocorrem anualmente como resultado da participação em esportes. Os pesquisadores concluíram que um programa preventivo contra lesões deve ser incorporado à prática regular do futebol. 

Diante desse quadro, é fácil concluir que a adoção de um programa de prevenção, pode não evitar completamente o risco de lesão dos atletas, mas esta intervenção ajuda a desenvolver um atleta mais saudável e com maior poder de recuperação diante dos incidentes tão comuns no esporte.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Treinamento Propriocepção (parte 1)

Propriocepção

A propriocepção é o termo que descreve a percepção do próprio corpo, e inclui a consciência da postura, do movimento, das partes do corpo e das mudanças no equilíbrio, além de englobar as sensações de movimento e de posição articular. [1,2] Embora seja estudada há muito tempo, a propriocepção ainda é pouco conhecida. Este texto tem como objetivo fazer um breve apanhado da neurofisiologia deste tema tão complexo.
Inicialmente é impossível falar em propriocepção sem falar em receptores sensoriais. Afinal de contas são eles que "informam" o nosso SNC (aqui me refiro a SNC e não apenas ao cérebro pois existe a propriocepção consciente e inconsciente) sobre a posição articular e o nível de tensão muscular, por exemplo.
[1] Lent, R. Cem bilhões de neurônios: conceitos e fundamentos da Neurociência. Atheneu, 2001. [2] Kandel, E. R.; Schwartz, J.H.; Jessell, T.M.Princípios da Neurociência. Manole, 2003.

Receptores SensoriaisOs receptores sensoriais fazem parte do sistema sensorial somático, responsável pelas diferentes experiências sensoriais captadas e interpretadas pelo nosso corpo. A função mais elementar dos receptores sensoriais é prover o SNC com informações sobre o estado interno de estruturas orgânicas e do ambiente externo. São eles que definem o que chamamos de sentidos (visão, audição,sensibilidade corporal, olfação, gustação). Porém um único receptor não é capaz de identificar sozinho os diferentes estímulos que nos bombardeiam a cada instante. Desta forma contamos com diferentes tipos receptores sensoriais, cada um com características próprias que permitem que ele "sinta" diferentes estímulos. Podemos classificar os receptores sensoriais de acordo com a sua função (mecanoceptores, termoceptores, fotoceptores, quimioceptores e nociceptores). Além da classificação funcional, podemos também classificá-los de acordo com a sua localização anatômica: exteroceptor, interoceptor e proprioceptor (esta última classe é a que nos interessa no momento).

Proprioceptores
Os
proprioceptores são receptores que se lo­calizam mais profundamente nos músculos, aponeuroses, tendões, ligamentos, articulações e no labirinto cuja função reflexa é locomotora ou postural. Podem gerar impulsos nervosos, conscientes ou inconscientes. Os primeiros atingem o córtex cerebral e permitem que, mesmo de olhos fechados, se tenha a percepção do próprio corpo, seus segmentos, da atividade muscular e do movi­mento das articulações. Sendo portanto responsáveis pelo sentido de posição e de movimento (cinestesia). Os impulsos nervosos proprioceptivos inconscientes não despertam nenhuma sensação; são utilizados pelo sistema nervoso central para regular a atividade muscular, através do reflexo miotático ou dos vários centros envolvidos com a atividade motora, como o cerebelo. Em resumo: Os proprioceptores são essenciais para informar ao nosso cérebro a noção de posição dos membros, e por sua vez, esta informação de posicionamento corporal é essencial para o controle dos movimentos.



Estes receptores desempenham, em simultâneo, a função de detectar todas as variações mecânicas e de enviar a informação recolhida ao sistema nervoso central. Para além dos proprioceptores, o aparelho vestibular e o sistema visual também fornecem importantes informações somato-sensoriais. Pode-se dizer, portanto, que a propriocepção é responsável pelo envio constante de informação sobre eventuais deslocamentos de segmentos no espaço auxiliando-nos nas diversas tarefas motoras. Apropriadamente, os proprioceptores estão localizados nos músculos (fusos musculares), tendões (órgãos tendinosos de Golgi) e nas cápsulas articulares (corpúsculos de Ruffini e Pacini).

Fonte: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com

Na sequência um vídeo de um tipo de treinamento que visa o desenvoolvimento da propriocepção através de multi-saltos.


Obrigado pela atenção!
Grande abraço a todos!