domingo, 26 de fevereiro de 2012

PILATES X MUSCULAÇÃO X CORRIDA


O Pilates tem se tornado um método mais popular, prometendo, entre outras coisas, aumentar o condicionamento físico e fortalecer a musculatura, ou seja, os mesmos benefícios encontrados na musculação. 
Mas, afinal, é uma boa idéia deixar de fazer musculação para ter o Pilates como único trabalho complementar de fortalecimento dos músculos?
A musculação treina grandes grupos musculares com objetivo de hipertrofia muscular com aumento da força; ou de resistência muscular, com aumento da força, mas sem hipertrofia - mais comum no caso de corredores.
O Pilates, por sua vez, tem como objetivo o reequilíbrio muscular, melhora da postura e definição dos músculos sem hipertrofia e sem sobrecarga articular, o que aumenta a garantia de prevenção de lesão.

O que é a musculação? É um estímulo elétrico do músculo. Isso o Pilates também faz, só que com molas, usando o próprio peso do corpo, com a vantagem que a mola também trabalha a fase negativa do movimento, porque não tem a ação da gravidade; você não vai soltar a força na volta do movimento, como geralmente acontece nos aparelhos de musculação.
O Pilates também trabalha a flexibilidade, essencial para quem pratica a corrida, o corredor precisa estar forte e alongado; melhora a mecânica de corrida, porque melhora muito a postura e faz uma reorganização muscular, além de trabalhar a respiração.
Alguns são da opinião que não se deve deixar a musculação em prol unicamente do Pilates, pois não se garante o ganho de força necessário somente com este último; outros profissionais são da opinião de que o Pilates pode sim proporcionar o mesmo ganho, quando o trabalho é direcionado e tão freqüente quanto se é na musculação. Há um terceiro grupo que acredita que ambos tenham suas vantagens e associar os dois é mesmo o ideal. Sem polêmica, o importante é achar a atividade que mais se adapte a você e ao seu estilo de vida.

A definição de Joseph para o condicionamento físico ideal é a obtenção e a manutenção do desenvolvimento uniforme do corpo, saúde mental e capacidade de executar com facilidade, naturalidade e espontaneidade as várias tarefas diárias.
Na musculação existe o aprimoramento da saúde de um modo geral, porém o intuito maior é a força muscular.
Vale lembrar que quando o intuito maior é a perda de peso, o mais recomendado são as atividades classificadas como aeróbicas, a caminhada e a bicicleta.
O Pilates é uma atividade anaeróbica (ou mista para alguns), tem um gasto calórico, porém não tanto quanto alguma atividade aeróbica. 
O ideal é a junção das duas atividades, porque não adianta perder peso e não tonificar e enrijecer a musculatura, mantendo flacidez.

Hoje a corrida tem se tornado a atividade que mais cresce de adeptos dado ao seus benefícios, porém correr sem um preparo pode ser perigoso.
Quando é realizado o treinamento, o corredor no final, percebe os limites sinalizados pelo seu corpo. Busca-se formas de melhorar o seu desempenho e execução. Investe-se em leves sapatos com as mais recentes tecnologias, planos nutricionais ou passa mais tempo no treinamento, mas nem sempre a melhora é satisfatória. Uns dos principais obstáculos para um desenvolvimento são: a capacidade respiratória insuficiente, falta de equilíbrio, fadiga muscular, dores nas articulações e até mesmo na região lombar. Integração do Pilates com a corrida pode gerar um ganho extra. 
O método desenvolvido pelo alemão Joseph Humbertos Pilates tem como objetivo fundamental restabelecer o equilíbrio e a harmonia postural, aumentar a capacidade respiratória e o fortalecimento de toda a musculatura, principalmente a abdominal. O Pilates requer uma concentração muito grande o que de certa forma acaba contribuindo para uma maior conscientização do sistema locomotor.
Numa corrida existem muitas vantagens para o praticante de Pilates. São elas: 


1. Aumenta o controle da musculatura abdominal que ajuda na sustentação de todo sistema muscular. A “casa de força”, assim como Pilates dizia, a região do abdômen funciona como um eixo de sustentação e fornece as condições favoráveis para uma melhor movimentação de todo o corpo. 
2. Diminui sensivelmente o impacto sobre as articulações devido ao aumento do tônus muscular gerados pelo treinamento com Pilates que realiza um trabalho de forma mais lenta.

3. Aumento da flexibilidade com a realização de exercícios específicos sob a orientação do professor respeitando as necessidades individuais de cada pessoa.

4. Respiração e a cadencia dos movimentos totalmente integradas. Estas são marcas inseparáveis do método.   

5. No equilíbrio pode-se dar o exemplo do trabalho com bolas suíças onde se exige concentração e respiração disciplinada, unida a capacidade de equilibrar para a realização correta dos exercícios.

6. Sem envolver no corredor uma conscientização que permite a correta posição de sua cabeça, pescoço, coluna vertebral e pelve a cada passada.

7. Com este método de programa de exercícios de solo e/ou aparelhos, focados no ao acionamento de contrações desnecessárias no pescoço, ombros, e demais regiões que não são necessários na realização de determinados exercícios.


Um dos principais aspectos que distingue um grande corredor de um corredor médio é a boa postura. No Pilates executam-se exercícios de fortalecimento abdominal que visa desenvolver fortalecimento muscular e controle respiratório, os corredores passam a ter vantagens significativas para alcançar um desempenho ainda mais poderoso e condizente com as expectativas.
A boa notícia é que a maioria dos studios de Pilates dão aula experimental grátis para que o aluno passa conhecer o método antes de se matricular. É bom ressaltar que por se tratar de condicionamento físico de pessoas que gozam de saúde plena, ter orientação de um Professor de Educação Física é fundamental para um crescimento contínuo e mais seguro.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Oito razões para Correr e fazer Musculação.




Texto retirado do site copacabanarunners.net .


... Quem apenas “malha” sente falta de uma atividade aeróbia e quem apenas corre também sente falta de algo a mais para os músculos. Por que não fazer as duas atividades? Corrida e musculação.

Massa Muscular e Força – Sabidamente a musculação bem orientada caso a caso tem a propriedade de aumentar a força muscular e o volume dos músculos. Para quem corre especialmente visando a qualidade de vida faz toda a diferença percebida não só na corrida como nas atividades funcionais envolvendo força como, por exemplo, na ida ao supermercado. Na hora de carregar, embarcar e desembarcar as compras, quem apenas corre pode passar o maior sufoco. Aí, de que adianta ter um bom condicionamento cardiopulmonar, baixo percentual de gordura se na hora “agá” falta a força física?



 Obesidade – Claro, sabidamente a corrida é uma das boas atividades físicas que contribuem para o emagrecimento e não faltam trabalhos atestando isso e exemplos de pessoas que emagreceram bastante correndo. Entretanto, um dos mitos ainda presente na população é pensar que a musculação não emagrece. Quem está envolvido em programas de emagrecimento o que vale é o balanço calórico negativo. Isso significa dizer que as calorias gastas na musculação se somam às da corrida e não importa se as duas atividades são feitas uma após outra ou em seções separadas no mesmo dia. Vale a soma das calorias gastas. Além do mais, uma pessoa com excesso de peso nem sempre pode começar a correr, mas pode começar a fazer musculação e caminhar compondo assim uma boa programação inicial de exercícios permitindo gasto calórico considerável. Um outro álibi seria considerar que uma pessoa obesa possivelmente não tenha massa muscular suficiente para suportar um programa “só” aeróbio. “Só” musculação também não seria o suficiente, daí a necessidade das duas atividades.



Metabolismo basal – Ainda seguindo o raciocínio do balanço calórico negativo, a musculação traz uma outra vantagem. Ao ganhar mais músculos o corpo passa a gastar mais calorias estando parado até mesmo durante o sono no chamado metabolismo basal. Quem é mais "forte" gasta mais calorias dormindo.

Doenças Cardiovasculares – Duplo Produto – Um dos álibis mais fortes a favor da musculação é com relação à sobrecarga cardíaca. Ao contrário do que muita gente pensa, o coração sofre menos se analisado por um dado chamado Duplo-Produto, que serve para avaliar o esforço cardíaco. Ou seja, se refere ao consumo de O² do músculo miocárdio. Os médicos chegam a esse valor multiplicando a Pressão Arterial Sistólica (aquele número maior quando a gente mede a pressão) pela Freqüência Cardíaca. Sabemos que cada exercício provoca uma reação diferente tanto na pressão arterial como na freqüência cardíaca dependendo da intensidade e duração. Nos exercícios aeróbios tanto a PAS (número maior da pressão) como a FC aumentam quase na mesma proporção e na musculação, em séries mesmo pesadas somente a PAS aumenta porque não há tempo hábil para uma resposta de aumento também da FC e isso pode ser uma vantagem para cardíacos. Um sujeito pode estar correndo numa esteira com uma velocidade confortável com pressão arterial e freqüência cardíaca normais, mas se for comparar com exercícios de musculação mais pesada com series que não ultrapassem 12 repetições o Duplo Produto na esteira será maior. Não significa também que a corrida seja nociva. Apenas prova que a musculação não é esse bicho de sete cabeças, “que aumenta a pressão”, “faz mal para o coração”, “machuca”, “dá ataque cardíaco” e coisa e tal, como alardeiam por aí. Portanto, em termos cardíacos a musculação é apenas mais segura e tem de ser bem orientada como qualquer exercício inclusive a corrida.

Flexibilidade – Engana-se quem se apressa em dizer que a musculação deixa o sujeito todo duro. Em primeiro lugar, e isso me parece lógico, somente a falta de exercício pode provocar diminuição da flexibilidade. Se não usa atrofia. Qualquer exercício, com ou sem peso, executado de maneira correta a amplitude articular fatalmente aumenta contribuindo com a melhora da flexibilidade como um todo. Além disso, a musculação aumenta a quantidade de tecido conjuntivo, tecido esse que recobre as fibras musculares e tem propriedades viscosas e elásticas. Se aplicarmos uma determinada força num músculo hipertrofiado e a mesma força for aplicada no músculo não treinado, o primeiro alonga mais. A maior prova disso são os vários trabalhos mostrando que levantadores olímpicos têm flexibilidade acima da média. Pra matar essa questão de vez. Pegue dois pedaços de elástico exatamente do mesmo tamanho, porém um grosso e um fino. Se esticar os dois ao mesmo tempo, qual deles arrebentará primeiro? Logo, um músculo hipertrofiado treinado adequadamente é mais flexível porque a força é vizinha dessa valência física. Ponto!

Osteoporose – Sabemos que os ossos são matérias vivas e não tão rígidos como parece. São formados basicamente de substâncias orgânicas e minerais responsáveis pelas propriedades de resistência, elasticidade, dureza e rigidez. Existe um processo de construção e demolição da matriz óssea respectivamente conhecido por osteoblasto e osteoclasto que define a saúde óssea por toda a vida. Se agredirmos o corpo com alimentação inadequada, fumo, estresse, sedentarismo, excesso de exercício e etc. os ossos ficam enfraquecidos podendo chegar à osteoporose. Se ao contrário nos alimentamos bem, ingerindo cálcio suficiente, controlamos o estresse e fazemos exercício adequados os ossos permanecem sadios a vida inteira. Por conta da elasticidade os exercícios de impacto, como a musculação, induzem o processo de construção do osso, tanto pela ação mecânica gerando corrente elétrica conhecida por propriedades piezo elétricas como pelo estímulo de hormônio sexuais. A corrida também é uma atividade de impacto. A diferença é que na musculação além do impacto geralmente ser gerado nas duas extremidades dos ossos podemos estimular todos eles com um programa de treinamento bem estruturado. Pesquisas mostram que fisiculturistas chegam a ter 40% mais cálcio nas vértebras lombares e corredores nas fíbulas (antigo osso perôneo situado ao lado da tíbia).


Diabetes – Já é bem estabelecido que portadores de Diabetes tanto tipo 1 ou 2, se beneficiam bastante com o exercício físico que ajuda a queimar a glicose sem a presença da insulina. Se a corrida já produz esse benefício, a musculação produz ainda mais por conta do aumento da massa muscular. É simples. Mais músculos, mais queima de glicose mesmo em metabolismo basal. Todo diabético consciente sabe controlar as suas taxas e deve medir a glicemia antes e depois do exercício. Entretanto, uma das recomendações que se faz na musculação é que se evitem pesos excessivos que obriguem bloqueio da respiração. Pesos excessivos podem gerar lixo metabólico que podem atrapalhar a absorção da glicose no músculo. Nesse caso como a musculação visa um benefício ao diabético não tem sentido exagerar.

Segurança – Por utilizar máquinas bem projetadas e pesos adequados a cada um de acordo com o desempenho, a musculação é considerada uma das atividades bastante seguras principalmente se acompanhada por profissionais habilitados. O risco de acidente é muito baixo porque só depende de seguir procedimentos corretos. Outras atividades a lesão pode depender da sorte e não apenas de procedimentos corretos. 


Todas as Idades – Os estudos sobre musculação evoluíram tanto que hoje em dia é recomendada desde a adolescência até os mais idosos. O álibi que se usava contra-indicando aos adolescentes com relação ao impacto sobre as epífises dos ossos longos caiu por terra. Outras atividades tais como basquete, vôlei e a própria corrida produzem impacto muito maior sempre foram recomendadas e nunca questionadas. Na verdade a musculação na adolescência estimula o crescimento não só dos ossos como dos músculos por conta da explosão hormonal característica da idade. Nos idosos o crescimento da massa muscular e da força, o benefício mais importante é a total independência nas atividades funcionais. É bem estabelecido que o avanço da idade induz a perda de massa muscular num processo conhecido por sarcopenia significando “perda de carne” (sarx = carne, penia = perda) cuja origem pode ser multifatorial sendo a idade uma delas. Em bom português, de uma forma geral os músculos vão "secando". Ou seja, perde-se massa muscular, sendo esse processo acelerado com o sedentarismo, vida irregular, estresse e etc. Além disso, a própria corrida pode ser um fator de aceleração de perda de massa muscular na terceira idade por conta do processo conhecido por catabolismo. O idoso que corre e faz musculação desfruta de todos os benefícios da corrida sem perder músculos. Tem tudo e mais um pouquinho.

Portanto o equilíbrio é fundamental para a obtenção dos resultados...
Agradeço a todos pela atenção, até breve!!

Bom Treino a Todos!!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Qual o segredo do Barcelona??


Muito trabalho, treinamento, disciplina e planejamento.

Nesta postagem vou exibir uma sequência de 2 vídeos desenvolvidos pela UEFA TRAINING GROUND a respeito do sucesso da Seleção Espanhola.
No período entre 1995 e 2010, a Espanha conquistou nove provas da UEFA, desde o escalão de Sub-16 até ao Sub-19, uma era na qual conseguiu também seis segundos lugares. Um sistema que produziu vencedores do Campeonato do Mundo, como Fernando Torres, Sergio Ramos e Andres Iniesta. Qual o segredo do sucesso de Espanha? Perguntamos isso mesmo aos principais responsáveis da RFEF para tentar perceber.


Neste 1º vídeo alguns dos responsáveis pelo sucesso do futebol espanhol foram entrevistados, confira no link:
http://pt.uefa.com/trainingground/grassroots/features/video/videoid=1634980.html?autoplay=true 



 No 2º video é observado o investimento nas seleções de base da Espanha a garantia do sucesso  no futuro.

Na segunda parte da investigarão do UEFA Training Ground sobre o êxito das seleções jovens da Espanha, falamos com algumas figuras importantes envolvidas no processo e descobrimos como os mais novos são ensinados desde cedo e praticar determinado estilo de jogo e a porque estão confiantes de que o sucesso da seleção principal do país pode continuar por muitos anos.



Após observar estes vídeos fica claro o porque da obra de arte que vimos a poucos dias na Final do Campeonato Mundial de Clubes 2011.

Temos muito o que aprender, apesar de sempre sermos reconhecidos como o futebol arte, de excelente posse de bola, ficamos espantados ou  melhor encantados com o que vimos.
O que nos falta? Será qeu chegaremos lá? Será mesmo que estamos muito longe do Topo?
O Brasil tem o que é preciso para voltar a estar no TOPO, basta apenas uma maior e melhor PROFISSIONALIZAÇÃO do donosso amado DESPORTO.

Fico por aqui, desejando a todos um Feliz Natal e um Ano Novo  Repleto de realizações, saúde e sucesso.
Grande abraço a TODOS!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A ação do treinador: dos gritos à descoberta guiada.


        “Para mim liderar não é mandar, para mim liderar é guiar”
 José Mourinho

Ser treinador de futebol não é nada fácil...”: essa frase muitas vezes remete à instabilidade do cargo, mas nesta coluna tal afirmação serve muito bem para ilustrar a complexidade da ação desse profissional dentro do processo de treino.
Em um processo de treino pautado na complexidade, a ação do treinador interfere diretamente na dinâmica de toda a atividade, modificando os objetivos e as ações dos jogadores dentro do treino.
No estudo de Rampinini e outros autores (Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games), podemos observar como a intervenção do treinador modifica diretamente os parâmetros físicos das atividades.
Nesse estudo, os autores submetem os jogadores a jogos reduzidos com e sem a intervenção verbal dos treinadores. A frequência cardíaca, concentração de lactato sanguíneo e na percepção subjetiva de esforço foram mesurados e analisados em cada atividade.
Os dados mostram que quando há a intervenção ativa com estímulo verbal do treinador, há um incremento em todos os parâmetros observados; já quando não há a intervenção do treinador, esses dados sofrem uma queda significativa. Sendo assim, podemos concluir que a ação do treinador interfere diretamente no estímulo físico dentro dos jogos reduzidos.
Contudo, não basta incentivar verbalmente os jogadores para que eles corram mais, ou gritar se eles cometerem algum erro dentro da atividade: é preciso saber guiar todo o processo!
Guiar todo o processo significa orientar os jogadores para aquilo que se espera dentro do jogo. Na base, essa orientação vai além do jogo e se foca (pelo menos deveria) no desenvolvimento de jogadores inteligentes e como visão crítica sobre o jogo, e não simplesmente obedientes taticamente.
O treinador precisa traçar os objetivos e guiar os jogadores ao longo do caminho. Nesse âmbito, a dura ou a repreensão pode e deve ser utilizada em momentos pertinentes, pois formar muitas vezes requer esse tipo de intervenção (claro que com toda a ação pedagógica embutida).
Para José Mourinho, os jogadores precisam ser estimulados a discutir, questionar, experimentar. Tudo com a supervisão e orientação de toda a comissão, que não deve deixar que isso se torne em uma grande discussão, na qual qualquer raciocino é permitido.
A discussão precisa ter um norte, que evolui a cada treino e não deixa que os jogadores se acomodem em questões antigas. Nesse processo, denominado de “descoberta guiada” pelo treinador português, não há estagnação e as discussões evoluem a cada treino e a cada jogo.

Sabemos que cada atividade tem seu objetivo e nosso papel como professor em sua essência deve ser de levar os atletas a entender e avaliar a eficiência de suas ações jogo a jogo, treino a treino.

Em suma, precisamos guiar o processo e não trazer respostas prontas com conteúdo vazio de significado para os atletas.
Lembre-se que esse guiar passa pelos aspectos físicos, técnicos e mentais do jogo, e não apenas pela tática.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Evolução da periodização no futebol: uma questão epistemológica (Parte 1)

Texto retirado  do site da Universidade do Futebol, este artigo de extrema relevância que nos faz refletir melhor sobre nosso  AMADO FUTEBOL.

“Será que no futebol ganha quem salta mais? 

Quem corre durante mais tempo? Quem é mais rápido? 

Ou será que normalmente ganha quem joga melhor futebol?”

Uma análise sobre a preparação física e os treinamentos, suportados pela abordagem sistêmica
William Sander Figueiredo,Renato Buscariolli de Oliveira,Renato Buscariolli
A palavra “periodização” deriva da palavra “período” e nada mais é do que a divisão do tempo em pequenos seguimentos, ou ciclos de treinos, com características e objetivos específicos determinados de acordo com a especificidade de cada desporto. O objetivo desta divisão é facilitar a organização e adequação das cargas de esforço para cada momento do ano competitivo visando o aumento da performance.

Tradicionalmente, a periodização do treino tem assentado numa base predominantemente referenciada aos aspectos de adaptação morfológica, fisiológica ou bioquímica do organismo. Esta perspectiva, embora produtiva quando se pretende resolver questões mais restritas, apenas traduz uma visão parcelar e fragmentada do processo de treinamento em modalidades coletivas complexas como o futebol. Nesse sentido, citamos abaixo as duas primeiras “escolas” de periodização, bastante solidificadas e difundidas na ciência do treinamento. 

A primeira delas (também denominada “tradicional”), originária do Leste Europeu e proposta pelo soviético Lev Pavlovic Matveiev em 1950, caracteriza-se pela divisão da época desportiva em períodos, estruturados para atingir “picos de forma” em determinados momentos competitivos. Este modelo de preparação confere primazia à variável física, assente numa preparação geral e não possui qualquer ligação com a forma de jogar. Deste modo, preconiza um processo abstrato centrado nos fatores da carga física, através de métodos analíticos. A segunda “escola” (também denominada “contemporânea”), com origem nos países do Norte da Europa e América do Norte tem como ícone Yuri Verkhoshansky e tentou transcender o caráter universal da primeira tendência, dando grande importância ao desenvolvimento das capacidades físicas exigidas na competição. Desde então, exacerbou-se a avaliação das cargas através dos testes físicos procurando conhecer assim, a forma dos jogadores. Além disso, esta tendência de treino caracteriza-se por desenvolver a variável física, técnica e psicológica em separado. 

Na busca de adequar a preparação dos atletas às necessidades requeridas no futebol moderno e a tentativa de integrar as diferentes áreas do conhecimento ligadas à modalidade, novas propostas de periodização surgiram: cargas ondulatórias (Tschiene, 1990) e o modelo de Cargas Seletivas (Gomes, 2002). Essas novas propostas (principalmente a última) podem se adentrar em uma tendência designada “Treino Integrado” - onde os aspectos físicos, técnicos e táticos são desenvolvidos conjuntamente – e procuram promover uma maior semelhança com as exigências da competição conferindo uma grande importância ao jogo e à sua especificidade. 

Um “pit stop” reflexivo do conteúdo abordado até aqui nos permite visualizar que a tendência da preparação física no futebol ao longo dos tempos é de se aproximar cada vez mais do jogo em si. Essa aproximação por sua vez, coloca essa área no mesmo patamar de outras não menos importantes (psicologia, nutrição, pedagogia, etc) evidenciando a tão citada interdisciplinaridade. Na prática isso significa que a preparação física não mais será o “norte” no planejamento de uma equipe para uma determinada competição. Isso quer dizer que o preparador físico tonar-se-á “menos importante?” Ou que não será mais necessária a preparação física? Ou agora serão os técnicos e técnicos adjuntos que se responsabilizarão por essa área, acabando com a figura do “especialista” – preparador físico - no futebol? Caro leitor, muito calma nessa hora...

Como já explícito, a estruturação de todo o processo de planejamento e periodização do treino em futebol, passou e ainda passa pelo componente dito “físico”. A periodização física convencional está instituída no futebol e apesar de parecer desajustada ainda prevalece metodologicamente como núcleo central de preparação. Teodorescu (2003) salienta que grande parte das opiniões e teorias da psicologia, da pedagogia bem como da teoria da educação física sobre o jogo, são formuladas a partir de posições biológicas e biogizantes. De fato, no desporto de rendimento está fortemente enraizada a crença de que a excelência no desempenho desportivo pode ser obtida mediante a melhoria na condição física (Tani, 2001). Historicamente, esta crença deve-se à grande influência exercida pela Fisiologia do Exercício, que apresenta uma perspectiva eminentemente energética de movimento. 

Surge-nos assim vincado aquilo que podemos designar por um paradigma da dimensão física do treino, que realça a importância da dimensão física no seio do Planejamento e Periodização. Ao referenciarmos a performance a partir de fatores energéticos, biomecânicos e das características fisiológicas dos jogadores, os comportamentos destes serão perspectivados enquanto produto de uma maior ou menor adequação do organismo às exigências energéticas e funcionais do jogo, tendo em conta a unidade entre o estímulo e a resposta, desconsiderando as configurações tácticas que os induzem (Garganta et al, 1996). Isso impede uma tomada de consciência molar dos problemas do jogo, dado que não serão equacionadas as interações que se estabelecem no seio da equipe, entre os jogadores, face à relação de oposição – cooperação. 

Assim sendo, apesar da investigação científica ter inferido uma relação causa-efeito de caráter bio-fisiológico na aplicação dos métodos de treino baseados na coerência estrutural daquilo que convencionalmente se denomina componentes da carga (volume, densidade, intensidade e freqüência), isso nada nos elucida sobre a eficácia do comportamento motor utilizado pelos jogadores para a resolução de uma situação competitiva qualquer. Compreender a ação biológico-fisiológica dos exercícios é importante e necessária por parte daqueles que estão aplicando o treino para conhecer o efeito imediato, assim como os efeitos crônico-adaptativos de uma determinada sessão, microciclo ou mesociclo (Tscheine, 1987). No entanto, as modalidades desportivas de caráter aberto, como o futebol, não podem desenvolver os seus métodos de treino partindo simplesmente do manuseamento das denominadas componentes da carga.

Dessa forma, podemos dizer que a “preparação física” no futebol atravessa de forma lenta e gradativa (como é o progresso da ciência) uma mudança paradigmática e epistemológica. Os fatos nos levam a crer que não mais o componente biológico seja o norteador do planejamento de uma equipe, independente do seu nível e/ou faixa etária. A Periodização (divisão) continua, porém muda o seu foco. Talvez a “Periodização Tática” (“processo de preparação centrado na operacionalização de um “jogar” através da criação e desenvolvimento contínuo do Modelo de Jogo” – Vitor Frade, 2006) que é para muitos algo novo, desconhecido, seja a norma dentro do futebol em um futuro próximo. Cabe a nós, profissionais da bola, “corrermos atrás” das mudanças, nos adequarmos e nos reciclarmos. A abordagem sistêmica cada vez mais ganha espaço dentro dessa modalidade. Contudo, profissionais completos, “sistêmicos”, “complexos”, holísticos e que se atualizam constantemente serão necessários para que essa abordagem se efetive verdadeiramente. 

Talvez hoje o “componente físico” esteja se redimensionando dentro do futebol e não simplesmente sendo “deixado de lado”. Analogamente, o mesmo ATP (sigla referente à adenosinatrifosfato, nossa “moeda energética” dentro do metabolismo) que era responsável por um jogador correr em média 6 km por partida na década de 60, hoje permite que os atletas corram cerca de 12 km. O jogo é o mesmo, as regras são as mesmas, o ATP é o mesmo. Foram apenas 50 anos de evolução. O que mudou? Para terminar essa parte do texto (já que o assunto não se esgotou nesse documento), terminamos com uma pergunta capciosa e polêmica. 

“Será que no futebol ganha quem salta mais? 

Quem corre durante mais tempo? Quem é mais rápido? 

Ou será que normalmente ganha quem joga melhor futebol?”

BIBLIOGRAFIA

“A Ciência do Desporto a Cultura e o Homem”. Jorge Bento e Antonio Marques. Universidade do Porto. Porto, 1993.

“O Planeamento e a Periodização do Treino em Futebol – Um estudo realizado em clubes da Superliga”. Tese de Mestrado. Pedro Manoel de Oliveira Santos. Universidade Técnica de Lisboa, 2006.

“Do pé como técnica ao pensamento técnico dos pés. Dentro da caixa preta da Periodização Tática. – Um estudo de Caso”. Trabalho Conclusão de Curso. Marisa Silva Gomes. Universidade do Porto, Porto, 2006.

* Renato Buscariolli de Oliveira é bacharel em Treinamento Desportivo, mestrando em Biologia Funcional e Molecular - IB, pós-graduando em Bioquímica, Fisiologia, Treinamento e Nutrição Desportiva e membro do Laboratório de Bioquímica do Exercício - Labex, pela UNICAMP

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"The 11 +" Prevenção de Lesão para Futebolistas






O programa desenvolvido pela FIFA por meio do F-MARC tem o objetivo de tornar os atletas menos suscetíveis a lesões, tendo assim uma saúde mais forte, e seu nome é “FIFA FOR HEALTH” apelidado de “The 11+”.

Com a preocupação com as lesões específicas do futebol foi desenvolvido uma série de exercícios de nome “11+” que mostra como eles podem ser utilizados pelos atletas da bola. O foco dessas instruções é que as orientações individuais dos atletas parece diminuir o risco de lesões do joelho em futebolistas.

O futebol por si só é uma causa dominante das lesões, em parte devido à sua crescente popularidade. O tipo mais freqüente e grave de lesões em jogadores de futebol ocorre nas pernas, principalmente nos joelhos. O ligamento cruzado anterior (LCA) apresenta elevada incidência de lesões entre as atletas e as rupturas do LCA, especialmente, podem ter consequências grave em longo prazo, incluindo uma longa ausência do futebol, a recuperação incompleta e osteoartrite ou osteoartrose (inflamação) secundária do joelho. 

Um estudo muito interessante e de grande valor preventivo para o futebol feminino foi realizado na Suécia pelo Dr. Kiani e colaboradores, que avaliaram um programa de intervenção especificamente concebido para diminuir o risco de lesões no joelho relacionados ao futebol feminino sueco, com atletas de 13 a 19 anos.  

O programa contou com exercícios de fortalecimento destinados a alcançar um padrão de movimento melhorado, diminuindo a pressão sobre a articulação do joelho. As sessões de treinamento foram integradas na prática do futebol regular e não foi necessário nenhum equipamento adicional. Além disso, as jogadoras, pais e líderes de equipe, participaram de um seminário de sensibilização para o risco de lesão.  Em 2007, 777 meninas de 48 equipes que participaram do programa e 729 jogadoras em 49 equipes, serviram como controles, e observou-se apenas três lesões de joelho ocorridas entre as jogadoras que participaram do programa preventivo. Ao contrário, verificou-se 13 lesões nos joelhos do grupo sem prevenção. Comprovadamente, o programa teve êxito na diminuição de 77% na incidência de lesões no joelho e uma diminuição de 90% na incidência de lesões no joelho sem contato. 

A taxa de lesão não foi apenas mais baixa entre as equipas que participaram do programa de prevenção, como as lesões que ocorreram foram menos severas. Todas as três lesões no grupo de intervenção foram classificadas como graves, mas todas as três jogadoras recuperaram plenamente sua atividade dentro de seis meses. 

Entre os participantes do grupo controle, a maioria das lesões foram graves, e apenas quatro das 13 recuperaram a plena atividade dentro de seis meses. Infelizmente, o esporte competitivo também pode produzir lesões. Nos Estados Unidos, cerca de 1,4 milhões de lesões ocorrem anualmente como resultado da participação em esportes. Os pesquisadores concluíram que um programa preventivo contra lesões deve ser incorporado à prática regular do futebol. 

Diante desse quadro, é fácil concluir que a adoção de um programa de prevenção, pode não evitar completamente o risco de lesão dos atletas, mas esta intervenção ajuda a desenvolver um atleta mais saudável e com maior poder de recuperação diante dos incidentes tão comuns no esporte.

domingo, 6 de novembro de 2011

Perfil das Lesões da Copa do Mundo 2010 - Relatório médico da Copa do Mundo de 2010

Este é um dos assuntos que venho pesquisando nos últimos meses para a elaboração de um Projeto de Pesquisa, um assunto bastante interessante pois é algo de extrema importância para todos que estão envolvidos com o Mundo do Futebol. Não é só o atleta que sofre com isso, todo o clube que investe para ter seu elenco sempre em perfeitas condições, a torcida que espera sempre quem o clube apresente-se sempre com força máxima, uma lesão afeta toda a atmosfera do clube.
 Visando isto a proposta do Treinamento Preventivo vem ganhando cada vez mais  força, e isso é algo que postarei mais a diante. Encontrei este Texto no site www.universidadedofutebol.com.br e achei importante posta-lo no blog pois este tema está ganhando cada vez mais força, não só  pelo simples fato da prevenção das lesões e sim pelo cuidado com a saúde do Atletas de futebol.
TEXTO ESCRITO POR : Renê Drezner  Disponível na Universidade do Futebol
A saúde dos jogadores é um assunto que é levado muito a sério pela Fifa. Dentro da entidade existe um departamento responsável por diagnosticar as principais lesões e doenças que ocorrem com a prática do futebol e elaborar programas para preveni-las. 

Ao longo dos anos a comissão médica da Fifa criou bateria de testes preventivos (cardíacos e ortopédicos) e programas de treinamento preventivo (como o FIFA 11+, conjunto de exercícios para serem usados no aquecimento[Mais informações sobre o 11+ nos próximos posts]). 

Também existe um esforço muito grande de monitoramento de todas as ocorrências médicas que acontecem durante as competições realizadas pela Fifa, como a Copa do Mundo.

Neste post será realizado um resumo do relatório médico da Copa do Mundo da África do Sul de 2010; este relatório foi elaborado pelo professor Jiri Dvorak e pelas doutoras Astrid Junge e Katharina Grimm. O documento completo está dentro do relatório técnico-tático da Copa do Mundo de 2010 – para acessá-lo clique aqui.
Avaliações médicas antes da Copa do Mundo:
Todas as equipes realizaram exames preventivos nos jogadores seguindo o protocolo recomendado pela comissão médica da FIFA (F-MARC), tendo como maior objetivo evitar a morte súbita no futebol.
Estudo sobre a ocorrência das lesões:
Pela primeira vez em uma Copa do Mundo foram registradas todas as lesões e doenças de todas as equipes participantes desde a chegada à África do Sul. Os médicos das equipes enviavam as informações diariamente para a comissão médica da Fifa.
Durante os jogos foram registrados os menores índices de lesão por partida dentro de uma Copa do Mundo (média de 1,9 por jogo, contra 2,3 em 2006, 2,7 em 2002 e 2,4 em 1998 – primeiro ano deste tipo de análise). A maioria destas lesões foi considerada com intensidades leve e moderada, sendo que 31% das lesões não precisaram de período de recuperação, 46% precisaram de 1 a 3 dias de recuperação. As lesões mais graves que necessitavam de um período de mais de quatro semanas de recuperação foram drasticamente reduzidas, demonstrando que caiu a gravidade das lesões juntamente com o número total de ocorrências; ver tabela abaixo:

 

Com relação à causa das lesões, foi reduzido o número de lesões por jogo brusco em comparação com as últimas Copas do Mundo, mas em compensação aumentaram o número de lesões sem contato físico; ver tabela abaixo:

 

Observação: Estes dados da tabela foram coletados do relatório da Fifa. As somas das porcentagens não chegam a 100% (não sei se foi erro da Fifa, ou tem outras causas de lesão classificadas).

Controle de dopagem fora da competição:

Todas as equipes participantes deveriam informar seu paradeiro ao menos dois meses antes do início da competição. Foram realizados testes surpresa com oito jogadores de cada equipe (escolhidos por sorteio) durante esse período, totalizando 256 testes. Todas as amostras coletadas deram negativo para substâncias proibidas.
Controle de dopagem durante a competição:
De acordo com a norma da Fifa, durante os jogos foram realizados testes aleatórios com dois jogadores por equipe. Nestes testes foram coletadas amostras de urina e às vezes também de sangue. Todos os resultados também deram negativo. 

Desde 1994 foram realizados 7.460 testes no controle de dopagem nas Copas do Mundo e somente quatro destes testes deram positivo (um acusou efedrina, um por maconha e dois por nandrolona), um percentual menor que 0,05%.

Atividades complementares:
Junto com as atividades normais foram realizadas atividades complementares, como a edição de uma nova publicação sobre os procedimentos mais adequados utilizados nos socorros de urgência. E a implementação para os africanos dos programas FIFA 11+ (série de exercícios de aquecimento para prevenir lesões) e 11 para a saúde (programa que pretende ensinar às crianças como prevenir o contágio das doenças mais graves, como a AIDS).
Conclusão:
Analisando este relatório é possível observar o avanço que está ocorrendo na preparação dos atletas. Este resultado é fruto da grande quantidade de estudos que foram realizados no campo da medicina esportiva. 

Espero que nos próximos anos continue surgindo novas pesquisas que ajudem a aprimorar o diagnóstico das lesões e os métodos de treinamento para que, cada vez mais, diminua a incidência e gravidade das lesões e doenças no futebol.

Essa é a Tendência do Futebol, diminuir o número de lesões e tornar cada vez mais rápida a recuperação destes atletas.
Fico por aqui, em breve postarei mais informações sobre os Programas da FIFA ( The11+ e o FIFA for Health) 
Grande Abraço a Todos!